Trabalhar no Brasil ou nos Estados Unidos é igual?
Gerson Mazer · 14 de novembro de 2024

É extremamente importante para quem está de malas prontas para vivenciar o sonho de trabalhar longe de casa conhecer previamente a cultura do seu destino. Não significa necessariamente esquecer da sua cultura e características pessoais, mas ao menos saber interpretar e respeitar a nova cultura. Eventualmente atitudes naturais e toleradas em nossa terra natal podem ser consideradas ofensivas e até ilegais a depender do destino. Conhecer de antemão e se preparar pode não só melhorar a sua experiência como também evitar dores de cabeça até com a justiça.
Nesse texto, vou exemplificar algumas das principais diferenças entre brasileiros e americanos no trabalho, uma vez que os Estados Unidos é o principal destino dos brasileiros no exterior.
Afetividade
Nós somos latinos e latinos normalmente são mais calorosos. Os americanos em geral são mais frios e formais nas relações profissionais. Então não estranhe ser recebido como se você fosse apenas mais um na empresa, pois você é apenas mais um na empresa e isso não é sinal de indiferença ou desrespeito. Nada de chegar abraçando ou dando beijinhos no rosto, ok?
Sobrenome e pronome
Enquanto no Brasil, mesmo em ambientes profissionais, costumamos utilizar o primeiro nome ou até mesmo apelidos, nos Estados Unidos o mais comum em ambientes profissionais é o uso do sobrenome. Também muito usual, principalmente em ambientes mais formais e de menor intimidade, é o uso dos pronomes “senhor, senhora, senhorita...”.
Leis Trabalhistas
No Brasil somos acostumados com a tal “carteira assinada” e inúmeras leis trabalhistas com o que o empregador ou empregado podem ou não podem fazer. Horas de trabalho, horas de descanso, férias etc. Nos Estados Unidos essa é uma relação mais livre e depende do que for acordado diretamente entre as partes, nesse caso o empregador e você (ou você e o empregado). Jornada de trabalho, valores e periodicidade de pagamento dependem única e exclusivamente do acordo entre as partes. Moral da história: trabalhou ganhou, não trabalhou não ganhou! Lá não existem folgas remuneradas e o calendário, que varia de Estado para Estado, tem bem menos feriados que aqui no Brasil.
Pontualidade
Reuniões de trabalho normalmente tem horário para começar e terminar e isso é levado a sério. Esqueça aqueles 5 minutinhos pro pessoal chegar ou aquela esticadinha porque estamos quase terminando. Chamar uma pizza para virar a noite para atender a um prazo no escritório somente se isso for previamente combinado ou usual naquela empresa... Seja pontual e respeite os prazos.
Competitividade
Em geral os americanos são bastante competitivos, isso porque foram moldados num sistema diferente do nosso e é bem simples de entender. Quem entrega mais se destaca e cresce na carreira, quem entrega só o arroz com feijão não vai “passar de fase”. Não tenha vergonha de expor as suas ideias e compartilhar seu conhecimento, isso é muito apreciado na cultura yankee.
Alimentação
Nós brasileiros em geral temos como a grande refeição do dia o almoço. Nos Estados Unidos o almoço não passa de um lanche rápido que muitas vezes são consumidos nas próprias estações de trabalho, então não estranhe escritórios perfumados com cheiro de comida. Quem nunca viu isso num filme americano? Parte é da cultura mesmo e parte porque não são obrigados a fazer o intervalo de almoço, alguns nem param de trabalhar para comer.
Lembro de um dia, no escritório de uma grande empresa em Houston onde trabalhei por uns meses, da cara de nojo de um colega americano quando me viu escovando os dentes no banheiro do escritório após o “almoço”. Para mim era nojento pensar que ninguém escovava os dentes no escritório além de mim. Para eles era nojento eu trazer a minha escova de dentes (um artigo tão pessoal e íntimo) e escovar meus dentes em um banheiro de uso coletivo.
A ideia desse texto não é exaurir todas as diferenças culturais de trabalho entre brasileiros e americanos, mas sim elucidar como questões tão naturais para nós brasileiros podem ser uma afronta ou desrespeito em outras culturas. Estudar e conhecer a cultura do seu destino não só irá facilitar um pouquinho a sua adaptação quanto pode ajudar no controle da ansiedade e ajuste de expectativas.
Viajar e viver outras culturas é uma experiência enriquecedora, profissionalmente e principalmente pessoalmente.
Aproveite ao máximo as suas oportunidades e experiências!
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