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Relatos de um jovem casal na Austrália

Gabriela Germano e Gustavo Araújo · 14 de novembro de 2024

Relatos de um jovem casal na Austrália

Gabriela:

Oi, eu sou a Gabriela e tenho 20 anos.

Após nove meses morando na Austrália, posso perceber inúmeras mudanças de perspectiva e analisar como minha saúde mental tem melhorado. No Brasil, mesmo com um bom trabalho, bom salário e estabilidade financeira, eu não me sentia em paz comigo mesmo por tantos momentos que vivi em relação à minha família. Mesmo com o passar dos anos, sentia que, morando no mesmo bairro onde passei por tantas dificuldades, não havia evoluído o suficiente. Quando me mudei, foi um grande choque cultural e várias ondas de instabilidade. Atualmente, não trabalho na mesma área onde me dediquei por anos e nem tenho uma estabilidade financeira, mas morar em outro país proporcionou-me uma estabilidade emocional; sinto-me eu novamente. Talvez por estar longe de tudo e não ver as mesmas ruas que sempre andei desde que nasci, ou até mesmo pelo idioma onde me sinto completamente à vontade e feliz. Até o momento, esta é a minha perspectiva; só tenho bons pensamentos e sentimentos desde então.

Gustavo:

Eu sou o Gustavo, tenho 22 anos e sempre tive o sonho de ir morar em outro país. A vontade de morar era por conta de que todas as vezes que eu viajava, eu ficava muito triste na hora de voltar para casa. Então, comecei a sonhar em poder viajar e não voltar mais. Fiquei muitos anos estudando qual país eu poderia ir morar, até que, depois de muitos anos, decidi ir para a Austrália. Quando peguei o avião, senti um frio na barriga enorme, pois estava indo para o outro lado do mundo sem a certeza de nada. Não sabia o que iria acontecer lá. Foi uma mistura de medo, ansiedade e felicidade. Quando cheguei na Austrália, me senti muito feliz por ter conseguido realizar meu sonho. Achei que iria demorar mais, mas graças à minha profissão, consegui realizar relativamente rápido. No entanto, ainda não tinha encarado os desafios de ser um imigrante brasileiro na Austrália. Em alguns meses, comecei a sentir saudades de casa, principalmente da minha irmã de 10 anos que deixei no Brasil. Além disso, foi um desafio muito grande conseguir um emprego e, de fato, fazer a vida engrenar aqui. Ser um imigrante é viver uma vida de altos e baixos. Existem momentos em que você está muito feliz por poder comer picanha todos os dias e tem momentos muito tristes por estar longe de casa ou por perder um emprego. Quando comecei a andar nessa montanha-russa, percebi muitas coisas que as pessoas não conseguem mostrar em vídeos. Percebi que a felicidade é relativa. Há pessoas que têm tudo e são depressivas e tristes, enquanto há pessoas que não têm nada e são felizes apenas com um churrasco de linguiça e uma cerveja barata. Hoje, ainda sigo travando uma batalha intensa com minha mente, mas já consigo ter mais controle sobre ela depois de tirar minhas próprias conclusões morando fora do Brasil. Enfim, morar fora do Brasil é maravilhoso, mas a felicidade e a tristeza do seu coração serão relativas, baseadas na perspectiva que você encara cada desafio que a vida coloca à sua frente.

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