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Narcisismo

Psicólogo Bruno Beraldo · 8 de março de 2025

Narcisismo

Você já conheceu alguém que parece viver em um palco, sempre buscando holofotes e admiração, mas que, por trás da máscara de confiança, esconde uma profunda insegurança? Esse pode ser um sinal de narcisismo, um traço de personalidade que vai muito além do simples “amor próprio”. O narcisismo pode afetar relacionamentos, famílias e ambientes de trabalho, deixando um rastro de frustração e confusão. Mas o que exatamente é o narcisismo? Como identificá-lo? E, mais importante, como lidar com ele? Vamos explorar juntos.

O narcisismo é um padrão de comportamento caracterizado por uma grandiosidade excessiva, necessidade de admiração e falta de empatia. Pessoas com traços narcisistas muitas vezes se veem como superiores, merecedoras de tratamento especial e têm dificuldade em reconhecer as necessidades dos outros. No entanto, por trás dessa fachada de autoconfiança, há uma fragilidade emocional profunda. O psicólogo Craig Malkin, autor de “Rethinking Narcissism”, explica que “o narcisismo é uma máscara que esconde uma ferida de rejeição ou inadequação”.

Nem todo narcisismo é patológico. Existe o narcisismo saudável, que nos ajuda a valorizar nossas conquistas e a buscar reconhecimento de forma equilibrada. O problema surge quando esse traço se torna rígido e dominante, caracterizando o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN). Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o TPN é marcado por comportamentos como manipulação, exploração dos outros e uma sensação constante de que merecem mais do que os demais.

Identificar o narcisismo nem sempre é fácil. Pessoas com esse perfil podem ser encantadoras e carismáticas, especialmente no início de um relacionamento. Elas sabem como conquistar atenção e admiração, mas, com o tempo, a falta de empatia e a necessidade constante de validação se tornam evidentes. Você já se sentiu como se estivesse em uma montanha-russa emocional, alternando entre momentos de intensa conexão e outros de completo abandono? Esse pode ser um sinal de que está lidando com alguém com traços narcisistas.

Aqui entra uma reflexão importante: por que o narcisismo machuca tanto?. A resposta está na dinâmica emocional que ele cria. Pessoas narcisistas tendem a idealizar os outros no início, mas, quando percebem que não podem controlá-los, desvalorizam-nos. Essa oscilação entre “você é maravilhoso” e “você não presta” gera confusão e dependência emocional. A psicóloga Ramani Durvasula, especialista em narcisismo, alerta que “relacionamentos com narcisistas são como uma droga: dão um pico de prazer, mas deixam um vazio profundo”.

Se você está em um relacionamento com alguém narcisista, é provável que já tenha se sentido invisível. Suas necessidades são ignoradas, suas conquistas são minimizadas, e suas emoções são invalidadas. Isso acontece porque o narcisista vive em um universo centrado em si mesmo, onde os outros existem apenas como extensões de suas próprias necessidades. Pergunte-se: “Eu me sinto valorizado(a) nessa relação?”.

Lidar com o narcisismo exige limites claros e firmes. Isso significa dizer “não” quando necessário, mesmo que isso gere conflitos. Pessoas narcisistas muitas vezes testam os limites dos outros para ver até onde podem ir. Se você cede constantemente, está reforçando esse comportamento. A terapeuta de casais Esther Perel ensina que “limites não são barreiras, mas pontes para relacionamentos mais saudáveis”.

Outra estratégia é evitar alimentar o ego do narcisista. Elogios excessivos e atenção desmedida só reforçam a necessidade deles de serem o centro das atenções. Em vez disso, foque em conversas equilibradas, onde ambos têm espaço para falar e ouvir. Isso pode ser desafiador, mas é essencial para quebrar o ciclo de dependência emocional.

Aqui vai um exercício prático: registre suas interações. Anote como você se sente após conversas com a pessoa narcisista. Você se sente energizado(a) ou esgotado(a)? Valorizado(a) ou diminuído(a)? Essas anotações podem ajudá-lo(a) a identificar padrões e a tomar decisões mais conscientes.

E se você perceber que tem traços narcisistas? O primeiro passo é reconhecer o problema, o que pode ser difícil, já que o narcisismo muitas vezes vem acompanhado de uma negação da própria vulnerabilidade. A psicóloga Wendy Behary, autora de “Disarming the Narcissist”, sugere que “a cura começa com a aceitação de que precisamos dos outros, e isso não nos torna fracos”.

A terapia é uma ferramenta poderosa para quem convive com o narcisismo — seja em si mesmo ou em alguém próximo. Para os narcisistas, a terapia pode ajudar a desenvolver empatia e a lidar com a insegurança subjacente. Para os parceiros, familiares ou amigos, a terapia oferece suporte emocional e estratégias para estabelecer limites saudáveis.

Reflita: o que você está disposto(a) a tolerar?. Relacionamentos com narcisistas muitas vezes exigem sacrifícios emocionais que podem minar sua autoestima e bem-estar. Pergunte-se: Eu estou feliz assim?. Se a resposta for não, talvez seja hora de repensar suas escolhas.

Por fim, lembre-se: você não pode mudar o outro, mas pode mudar como reage a ele. Isso significa priorizar seu bem-estar, buscar apoio e, se necessário, afastar-se de relações tóxicas. Como diz a psicóloga Brené Brown, “empatia não é tolerar o intolerável, mas cuidar de si mesmo com compaixão”.

O narcisismo é um desafio complexo, mas não intransponível. Com autoconhecimento, limites claros e apoio profissional, é possível construir relacionamentos mais saudáveis — ou seguir em frente com a certeza de que merece mais.

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