Experiencia de uma Família Mineira em Boston
Monica Simao · 12 de novembro de 2024

Conheci a Ayumana recentemente e fiquei extremamente interessada no projeto e proposta de valor da empresa pois eles endereçam uma grande dificuldade que eu e minha família tivemos não muito tempo atras.
Tenho três filhos, um rapaz e duas adolescentes, gêmeas, um enteado que amo, uma nora maravilhosa (esposa do meu enteado) e sou “avódastra” de uma princesa de 4 anos. Nossa família é muito unida: meu enteado morou comigo e com seu pai desde os seus 12 anos de idade, e é um grande e excelente irmão de meus filhos e muito presente em nossa casa.
No final de 2016, tomei uma decisão de fazer um mestrado em ciência de dados devido a sua importância na tomada de decisões de negócios e em finanças, áreas que trabalho. Meu esposo, Alberto, apoiou-me imediatamente e me incentivou a olhar um mestrado fora do Brasil, para que pudéssemos proporcionar aos nossos 3 filhos uma experiencia internacional. A despeito de saber que teria que abrir mão, parcialmente, de sua profissão pelo período que estivéssemos fora e de ficar longe de seu filho, mas que já era adulto, seu suporte foi incondicional.
Comunicamos à família sobre a decisão e aí começaram os primeiros desafios: meu filho, André, de 14 anos na época, estava com sua primeira namorada (bem precoce, de passagem), e não queria sair do Brasil de forma alguma. Além disso, não queria ficar longe de seu irmão e deixar seus amigos para trás. Suas irmãs, Elena e Mariana, também muito ligadas ao meu enteado, à suas amigas de escola desde o maternal, e vendo a reação do irmão entraram na mesma onda.
Após ser aprovada no programa que queria em julho de 2017, o Sloan Fellows do MIT, começamos um trabalho de terapia em família aqui no Brasil para ajudar-nos na transição e preparar as crianças para essa nova experiencia, que já estava sendo dolorosa para eles antes mesmo da nossa mudança.
Eu mudei para Boston em maio de 2018, para montar a casa e organizar tudo para a chegada da família, em julho seguinte. Tomamos o cuidado de escolher um bairro residencial familiar, contendo a melhor High School e Elementary School da região, para que as crianças tivessem uma boa experiencia e educação. Montamos uma casa aconchegante, para que elas se sentissem bem. Como era verão nos Estados Unidos, chegamos em um momento de alto astral em Boston, com muitas atividades externas e programas bacanas para se fazer naquela cidade maravilhosa. Como eu era a única fluente em inglês, fizemos um acordo familiar onde combinamos que eu ficaria dedicada ao curso de segunda-feira a sexta-feira, mas estaria totalmente disponível para a família nos finais de semana.
Assim que a família chegou nos EUA, os primeiros desafios apareceram: a língua realmente foi uma barreira maior do que imaginávamos para a adaptação inicial de todos. Adicionalmente, o meu curso demandava muito mais do que eu esperava e, portanto, só consegui cumprir com o nosso acordo nas duas primeiras semanas após a chegada deles. Mas como estava no início de nossa jornada, os primeiros dois meses foram de exploração e diversão para todos. Eu estava mega feliz com o curso e em estar estudando no MIT, o que era um desejo quase que inimaginável desde que me formei em 1990. Para minha família, que além do Alberto e meninos tinhamos a Lene, mãe de coração de meus filhos que nos acompanhou nessa jornada, também foram interessantes pois estavam conhecendo a cidade e descobrindo o que ela lhes ofereceria.
O tempo foi passando e a família foi entendendo o novo ritmo de vida: meu esposo, que esperava conseguir trabalhar à distância em função da pequena diferença do fuso horário de Boston e Belo Horizonte e o tipo de seu trabalho - era gestor autônomo de investimentos em bolsa de valores - não se acostumou com esta forma de atividade e acabou assumindo, junto com a Lene, a organização da casa e da família. Alberto e Lene entraram em uma aula intensiva de inglês, mas Alberto não se adaptou e as interrompeu depois de 6 meses. Eu não podia reclamar, pois sabia o quanto estava sendo difícil para ele toda essa mudança. Ele estava sendo um super parceiro e companheiro, me apoiando integralmente no meu sonho de educação e profissional. Vi meu marido tentando não demonstrar suas dificuldades de adaptação para não me preocupar e não deixar as crianças perceberem. Ele se renomeou como “Uberto” (Uber + Alberto) pois se sentia o próprio motorista uma vez que ficava o dia inteiro de cima para baixo, me levando e buscando para o MIT, levando e buscando as meninas na escola, e saindo para resolver as coisas da casa. Não foi fácil para ele. Ele se fechou, ficou mais introspectivo, parou de brincar e de dar gargalhadas. Se emocionava toda vez que falava com seu filho e suas irmãs no Brasil. Foi um grande parceiro, que se sacrificou por mim e pelos meus sonhos...
Elena e Mariana, começaram muito bem sua adaptação. Aprenderam a língua muito rápido e sempre chamavam algumas colegas para irem para nossa casa na sexta feira, após a aula. Elena se encontrou na maquiagem, foi autodidata aprendendo maquiagem artística, mas tinha dificuldades em acostumar-se com a alimentação nos EUA. Mariana, que sempre amou o esporte, em especial o voleibol, se uniu ao time da escola e entrou em um clube particular local, mas ficou triste com a baixa qualidade do nível desse esporte em Boston. Como eram novinhas, o tempo parecia estar passando para elas com mais facilidade do que para o André e Alberto.
André foi o que mais sofreu, não se adaptou em sua escola, foi perseguido por uma Gang, pois ele ficava sozinho e estava vulnerável naquele ambiente. Começou a se esconder na sala de aula, mas nunca reclamou e nem contou nada disso para mim e seu pai. Sofreu calado. Todos os dias tinha dificuldades para levantar para ir à aula. Se fechou a tudo o que poderia ser bom para ele. Entrou no time de futebol da Brookline High, pois era craque de bola, mas não se empenhou e não tinha muita vontade que as coisas dessem certo nos EUA para ele. Sempre pedia para voltar para o Brasil para ficar aqui com o irmão. Queria estar perto de sua namorada e de seus amigos. Entrou em uma profunda depressão. E eu, só estudando, sem dar conta de tudo o que estava se passando em casa, inclusive nos finais de semana.
Em função de todo o quadro emocional da família, procuramos ajuda com psiquiatras e psicoterapeutas locais. Seguimos as indicações do MIT. Encontramos excelentes profissionais, que nos apoiaram, principalmente à Elena e André, que mais precisavam, mas, infelizmente o resultado não foi o melhor, em função das barreiras da língua e cultura. Os americanos são bem pragmáticos e menos emotivos que os Latinos. Definitivamente não conseguiam sentir as dificuldades que ambos estavam passando. Após meses de tratamento e pouco resultado, eu estava sem saber o que fazer, até que conheci uma médica brasileira, Laura, que estava em Boston fazendo mestrado em Saúde Mental e Bem-estar. Parecia que ela tinha caído do céu, e talvez tenha mesmo, pois foi quando mais precisávamos, Laura começou a tratar do André e Elena. O resultado foi tão bom, que a Mariana e Alberto também quiseram fazer um acompanhamento com ela. Começamos a ter sessões familiares, pois com todos bem vulneráveis emocionalmente, a convivência familiar não estava fácil. As duas felizes da família eram apenas eu e a Lene. Eu, que estava realizando o meu sonho, e estava totalmente dedicada e consumida pelo curso e demandas do MIT e a Lene que foi para os EUA decidida a aprender inglês para dar aula no Brasil quando do seu retorno.
Com a evolução do tratamento com a Laura, os efeitos foram evidentes: André, Elena, Mariana e Alberto passaram a lidar melhor e adaptar-se com o novo estilo de vida. A convivência familiar melhorou, pois os ânimos e humores também estavam melhores. A experiencia, que estava muito dolorosa, passou a ser apreciada. André passou a se dedicar à escola e se engajou no futebol, tornando capitão e o melhor jogador do time, recebendo inclusive, uma homenagem ao final da temporada.
Acabei indicando a Laura para outros brasileiros, que estavam com problemas e dificuldades na família semelhantes ao da minha. Minha recomendação para essas famílias, após tudo o que vivemos, foi a de contratarem um médico ou psicoterapeuta brasileiro, que falavam nossa língua e entendiam nossa cabeça e sentimentos. Apesar de termos sido assistidos por excelentes médicos locais, os resultados com a Laura foram bem diferentes.
Por tudo isso, me identifiquei com o projeto da Ayumana. Tivemos o problema que a Ayumana se propõe a resolver: oferecer saúde mental com alma brasileira. Acreditem em mim: tratar da saúde mental com um profissional de seu país faz toda diferença! Espero, com esse testemunho, ajudar os brasileiros expatriados para que tenham uma jornada mais fácil longe de nosso país, familiares e amigos.
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Para conhecer mais sobre a Monica, que gentilmente escreveu esse relato para o nosso blog, clique em: http://www.linkedin.com/in/monica-simao
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